• Postado por Tiago

Dona Terezinha tem razão de ficar irada: tá desde quarta-feira com as torneiras secas

Há três dias que o hidrômetro da casa da aposentada Terezinha Francisca da Silva, 52 anos, não se mexe. O comerciante Gilmar Tambosi, 30 anos, também tá passando um perrengue por conta das torneiras vazias. Assim como dona Terezinha e Gilmar, centenas de famílias no bairro Fazenda, em Cabeçudas, na praia Brava, no Ariribá e em parte do centro de Itajaí estão sem água desde quarta-feira.

Gilmar e dona Terezinha são moradores da Fazendinha e procuraram ontem o DIARINHO pra reclamar da falta de abastecimento. Afirmam que o fornecimento de água no bairro já é capenga durante o ano todo e que muitas vezes recebem o líquido somente na madrugada. Mas desde quarta-feira a situação piorou e o fornecimento de água foi suspenso de vez.

Dona Terezinha vive sozinha e diz que divide a água com a cunhada que mora ao lado da sua casa. A preocupação agora é o fornecimento para os próximos dias, pois a caixa está secando. A aposentada reside na rua Lauro Anastácio Pereira e praticamente todo o mês liga para o serviço Municipal de Água e Saneamento (Semasa) pedindo explicações. Ela já ouviu de tudo quanto foi desculpa: cano quebrado, limpeza do sistema e falta de pressão nos canos que impede o abastecimento nas regiões mais elevadas da cidade.

Na mesma localidade, na rua Venezuela, Gilmar se desespera quando vê a quantidade de copos sujos que se amontoam na pia de seu bar e mercearia. Pra lavar a louçarada só buscando água na bica do bairro. ?Se chega a fiscalização sanitária aqui eu é que sou o culpado?, reclama, lamentando a impossibilidade de fazer a limpeza do boteco.

Ontem, Gilmar ligou pro Semasa. Foi informado que o tratamento de água estava com problemas. Mas a resposta não convenceu o comerciante, que lembra das tantas e tantas vezes que o bairro sofreu com a falta d?água.

Veja bem…

O engenheiro Flávio de Faria, chefão do Semasa, diz que a falta d?água rolou na região sul da cidade porque desde quarta-feira as águas do rio Itajaí-mirim chegaram na estação de tratamento muito turvas. O lamaçal ocorre quando chove intensamente no Alto Vale e o barro das margens escorre pelo rio.

Pra piorar a situação, afirma Flávio, na quinta-feira a água veio tão cheia de lama e lodo que a estação de tratamento teve que parar. A água estava seis vezes mais suja que o normal. Ontem, o tratamento estava sendo restabelecido, garantiu o engenheiro.

Praia Brava, Fazenda, Fazendinha, Cabeçudas e parte do centro foram atingidos com a falta de água porque ficam numa parte mais alta da cidade e não havia pressão suficiente pra impulsionar o líquido até aquelas regiões.

Para resolver o perrengue, está previsto pro final deste ano o término da construção de novas adutoras e reservatórios, informa o chefão do Semasa. As obras começaram em janeiro do ano passado e irão ampliar a capacidade de tratamento de água de 600 litros por segundo pra 1200 litros. A quantidade atual de 9 milhões de litros dos reservatórios passará pra 19 milhões.

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