• Postado por Tiago

INTERNA_abre-direita_manifestacao-pelo-porto---BR101-trancada---foto-felipe-VT-67

Em abril deste ano já tinham parado a BR-101 pra pedir agilidade nas obras do porto

Os integrantes do movimento ?Pela Sobrevivência de Itajaí? anunciaram ontem que vão levar o seu berreiro pro outro lado da vala. No dia 21 de agosto, sexta-feira, prometem parar o porto de Navegantes. Sindicalistas e comerciantes culpam a direção do Portonave por também ser responsável pela crise que afeta a economia peixeira. O argumento é que a direção do porto dengo-dengo descumpre a lei e não contrata os trabalhadores portuários avulsos, que são a maioria de Itajaí.

Ontem de manhã, as lideranças sindicais e do comércio se reuniram na Casa do Trabalhador para planejar a próxima grande manifestação. ?Vamos começar com um ato perto da igreja Matriz, seguir em caminhada pela rua Hercílio Luz, e através o ferribote chegar até o porto de Navegantes?, revelou ao DIARINHO Osvaldo Mafra, presidente do sindicato dos trabalhadores na indústria da alimentação e chefão-mor da Força Sindical em Santa Catarina.

Mafra diz que a intenção de tentar paralisar as atividades do Portonave é para fazer com que a empresa dengo-dengo passe a contratar os estivadores e arrumadores pelos sindicatos. Hoje, os portuários de Navegantes são funcionários do próprio porto. ?Temos no lado de cá um porto que cumpre todas as regras, paga todos os seus impostos e no lado de lá estão trabalhando sem cumprir as regras?, acusa.

Fecharam a BR-101

No dia 29 de abril, a direção do movimento organizou uma manifestação que fechou a BR-101, na região de Salseiros, em Itajaí, e promoveu um berreiro na frente do porto peixeiro. Cerca de mil pessoas participaram do auê. Depois produziu um documento espalhado pra tudo quanto foi político.

O movimento servirá também para puxar a orelha dos políticos e administradores públicos pela lerdeza nas obras de recuperação do porto de Itajaí. ?Há 10 meses estamos nessa inércia. Ninguém até agora fez alguma coisa por Itajaí. Por isso definimos um conjunto de ações?, afirma Mafra. ?Vamos mobilizar todas as entidades da cidade e ir pra rua pedir ajuda?, completa José Dada, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Itajaí.

Com a inhaca do Porto de Itajaí, que teve parte de seu cais destruído e o canal de navegação assoreado com a enchente de novembro do ano passado, estão sendo deixados de movimentar algo em torno de R$ 10 milhões por dia na cidade. ?Chega a cinco mil os desempregados na cidade por causa dessa crise?, diz o chefão da Força Sindical. ?Só a Braskarne demitiu 150 funcionários de janeiro pra cá?, exemplifica.

Pro chefão do Portonave, culpa não é dos dengo-dengos

Para Osmari de Castilho, diretor superintendente do Portonave, os dirigentes do movimento ?Pela sobrevivência de Itajaí? estão botando os pés pelas mãos. ?Não vejo relação entre a forma de contratação dos trabalhadores portuários e a crise em Itajaí?, afirma ele, completando: ?Parece que está se invertendo o foco da questão?.

Castilho nega a acusação de que o Portonave descumpre a decisão judicial de contratar os portuários avulsos. ?A decisão era para dar prioridade na contratação dos avulsos. Oferecemos ao OGMO [órgão gestor de mão de obras] essa prioridade, para contratá-los com vínculo trabalhista e não aceitaram?, argumenta.

O porto dengo-dengo tem hoje cerca de 300 trabalhadores que fazem os serviços de estiva e arrumação no cais. Eles são contratados diretamente pelo Portonave e não são ligados aos sindicatos de portuários.

  •  

Deixe uma Resposta