• Postado por Tiago

Somente 15% da área do assentamento é usada para a agricultura. O restante é floresta de mata atlântica, que os moradores do assentamento fazem questão de preservar.Também não caçam e você não vê nenhuma gaiola pendurada nos alpendres das casas.

“Os tico-ticos deram em vir comer os brotinhos da alface chinesa. Pra não ficar no prejuízo, a gente comprou uma tela e todo dia de manhãzinha cobre parte da sementeira. Agora, matar ou prender, isso a gente não faz”, discursa Airi Mossi. Ele faz questão de dizer que esse conceito de respeito à natureza é repassado às gerações mais novas do assentamento.

Mas nem é preciso discurso para perceber a preocupação ambiental do grupo. Eles separam o lixo. O orgânico é usado como adubo ou para alimentar os animais. Programam-se para ter sempre algo em torno de 600 galinhas e uma meia dúzia de marrecos, criam 40 porcos e tem 24 cabeças de gado, a maioria vacas para o leite e seus derivados.

Para não poluir os mananciais de água, construíram um sistema de esgoto à base de juncos, uma planta aquática. “Não precisa colocar produto químico e a água sai limpinha”, garante Airi.

Na produção agrícola também vêm diminuindo o uso de pesticidas e adubos químicos. Todo anos, investem na compra de de aproximadamente oito toneladas de esterco de galinha, que usam como adubo, informa Leandro Daniel. Quando é possível, deixam a terra descansar por alguns meses, para que possa recuperar os nutrintes.

“Eles possuem grande respeito pela natureza. Não provocaram nenhum impacto ambiental local, desnecessário ou ilegal”, comenta o Tiago Francisco, que cursa engenharia ambiental na Univali de Itajaí.

Três quilômetros

separam o assentamento da BR 101. Pra chegar lá, siga em direção ao Paraná e entre à direita nua ruazinha de terra antes da balança de pesagem de cargas de Garuva. Depois, vire na primeira rua à esquerda e à direita, para chegar até a entrada, anunciada com uma placa. O assentamento é aberto à visitação.

93,4 hectares

é o tamanho do assentamento Conquista do Litoral. A área foi adquirida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) há 14 anos. Os sem terra chegaram a Garuva em 89, quando ocuparam a primeira fazenda na região. Houve conflito e um fazendeiro morreu.

O pagamento

é feito com base na hora de trabalho dedicada ao assentamento. O valor da hora é igual para todos os adultos. Todas as tarefas são feitas em sistema de rodízio. Jovens de 12 a 16 anos, que ainda estão apreendendo com os adultos, recebem 70% do valor e têm que concluir, pelo menos, o ensino médio.

  •  

Deixe uma Resposta