• Postado por Tiago

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Zulmar está preocupado com o sumiço da tainha em Floripa

Fotos e textos: Júlio Castro

A safra da tainha já começou, mas o peixe preferido dos catarinas ainda não encostou no litoral catarinense. Os pescadores, preocupados, se estapeiam por causa da portaria do Ibama que divide a praia entre os que pescam de barco e os de arrastão. Os meteorologistas dizem que ainda vai demorar pra tainha aparecer.

Maria Lindomar, 52 anos, nem tomou café da manhã na sexta-feira, tão cedo saiu de casa. Ela pegou uma hora de latão pra ir de Tijucas, às margens da BR-101, até o centro da ilha-capital. Depois, pegou outro busão, mais uma hora, pra ir até a Barra da Lagoa, onde desemboca a Lagoa da Conceição. Só que, tainha que é bom, não tinha.

Lindomar viajou pra tentar descolar um rango pra ela e os quatro filhos no final de semana. Durante a safra da tainha, que vai de 15 de maio a 30 de junho, o peixe é tanto que rola uma sobra de graça pra quem ajuda a puxar a rede do mar. Acontece que a tainha ainda não apareceu no litoral catarinense este ano.

Lindomar fez a viagem de volta sem o almoço. Zumar Felício, 59, nascido e criado na Barra, se dedica à pesca desde sempre. Ele teve que negar o peixe de Lindomar e não pôde esconder a preocupação. Isso porque a safra de 2008, em Santa Catarina, já foi de 750 toneladas, três vezes menos do que em 2007. Este ano, ali na Barra, só mataram 50 quilos. Zulmar não sabe explicar pra onde foi o peixe. Ele atribui a desgraça principalmente à portaria 171 do Ibama.

?Foi a lei mais porca que inventaram no mundo?, conta Zulmar. ?É uma imundiçada. Lei feita pra milionário. Tenho 59 anos, todos de pesca, tô quase morrendo e tenho que ver a pesca se acabar?, completa. Ele pesca de barco a remo, e sai todo dia do canal da Barra pra pescar na baía.

A portaria 171 do Ibama foi discutida no ano passado e começou a funcionar na safra de tainha de 2009. As decisões foram tomadas numa reunião, em Itajaí, com o pessoal da secretaria da Pesca de Brasília, do Ibama e sindicatos de pescadores, e valeu pra toda a região sul e sudeste.

Uma das decisões mais importantes foi o aumento do limite da ação das barcaças de pesca industrial. Daqui pra frente, os grandes barcos pesqueiros só podem pegar a tainha a mais de cinco milhas da costa.

Acontece que o que deixou gente como o Zulmar da Barra da Lagoa puto, foi o outro parágrafo desta portaria. Ele limita a praia em duas zonas de pesca. Na primeira versão da lei, antes da confusão entre os pescadores, ficou estabelecido que os sem-barco, que fazem arrastão de malha da areia, só poderiam pescar a 1832 metros da praia. Depois dali até as cinco milhas, onde pescam os grandões, poderiam pescar os que têm barco a remo.

Na semana passada, a chiadeira foi tanta que tiveram que voltar atrás e ajustar as medidas. Agora, voltou pro que era antes: 800 metros da praia para os sem-barco.

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