• Postado por Tiago

Nos tempos de Amélia (aquela que era a mulher de verdade), as coisas mudavam menos. Um emprego era para a vida toda, a profissão era pra vida toda, o marido, a casa, o imóvel de veraneio. Tudo era sempre igual. Atualmente, o acesso a coisas novas e modernas está mais fácil, as pessoas estão mais intolerantes, consumistas e consequentemente fazem mais mudanças. Algumas pessoas ainda têm muita dificuldade para lidar com tantas mudanças, seja na vida pessoal ou profissional. Mas será que mudar é tão ruim assim?

Você, mulher, pense por exemplo nos serviços domésticos, que você sempre executou sozinha aos sábados à tarde… Será que contratar uma empregada doméstica seria uma mudança ruim? E você, homem, será que seria ruim estar com sua esposa nos sábados à tarde, ao invés de ouví-la reclamar dos serviços domésticos após uma semana de trabalho? Como você pode perceber, nem toda mudança é ruim.

O fato é que o difícil da mudança é sair da zona de conforto em que você se encontra para se adaptar a uma nova situação. Aí vêm aquelas frases comuns, do tipo: “Sempre funcionou assim, para que mudar?”. Eu responderia: “As empresas sempre funcionaram sem computador, para que mudar? Continuemos com as máquinas de escrever”. O que você acha? Ruim, não é mesmo?

Para lidar melhor com as mudanças é fundamental que você se mantenha atualizado, esteja sempre atento às novidades da sua área de atuação. Quando um processo de mudança estiver iniciando na sua empresa, é fundamental que procure entender o por que de ele estar acontecendo. Dessa forma ficará mais fácil colaborar, participar, encontrar o seu espaço e compreender a importância das suas atitudes nesse processo.

Algumas pessoas resistem por se sentirem inseguras, incapazes ou simplesmente por estarem acomodadas à sua rotina. Mas mudanças tendem a ser para melhorar as coisas. Se você não está conseguindo entender o por que das mudanças, converse com seu chefe, esclareça os motivos, tente entender, aceitar e certamente ficará mais fácil de trabalhar. Você colherá os frutos do que hoje parece muito difícil.

Taísa da Silva Cassol é psicóloga clínica e organizacional – CRP 12/06288

[taisapsico@gmail.com]

T.C.S., 34 anos – Estou afastada do trabalho há quatro meses, pois tive uma crise de depressão e ainda estou me reestabelecendo. Tentei voltar ao trabalho após dois meses, mas ainda não estava bem o suficiente. Agora me sinto muito melhor e meu médico já me liberou para voltar a trabalhar. Devo voltar no começo do mês que vem. Mas sinto um pouco de receio de como vai ser, como as pessoas vão reagir. Quando tentei voltar ao trabalho, há dois meses, percebi que as pessoas me olhavam e algumas evitavam trazer problemas para eu resolver. Sei que a intenção delas é boa, mas acabo me sentindo pior, como se não fosse mais capaz de voltar a uma vida normal. Como devo agir ao voltar para que isso não aconteça novamente?

Taísa – É natural que você sinta um pouco de receio de voltar ao trabalho. Primeiro, por todo o sofrimento que vivenciou durante a crise e do tratamento que lhe deixou bem novamente. Há também a dificuldade em aceitar que a depressão é uma doença como qualquer outra e que não há motivos para envergonhar-se. Agora, se você está bem, sentindo-se preparada para voltar, deve pensar apenas nas coisas positivas e se entusiasmar. Esse será o maior benefício para que sua volta seja positiva. Demonstre aos seus colegas que está preparada para voltar, que está com toda a força e entusiasmo e, se necessário, converse com eles, explique como se sente e que prefere que eles ajam como se você nunca houvesse se afastado. Certamente eles irão entender.

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