• Postado por Tiago

entrevistao-tiago-silva-foto-rubens-flores-03set09-(4)Tiago Silva é o primeiro vereador da história de Florianópolis que se assumiu como gay. Ele marcou sua entrada na casa do povo em agosto deste ano. Um mês após assumir a suplência do vereador Marcos Aurélio Espíndola, o Badeko (PPS), Tiago teve o projeto de lei contra a homofobia aprovado. Isso em plena Semana da Diversidade, que culmina com a grande parada gay, neste domingo, na capital manezinha.

Neste clima de vitória, o vereador concedeu entrevista às jornalistas Carla Cavalheiro e Franciele Marcon. Falou dos três preconceitos que enfrentou na vida com maestria: por ser gay, pobre e negro.

Contou do seu trabalho no Morro do Mocotó, onde nasceu e se criou, das dificuldades para a mobilização dos movimentos sociais e da sua aposta em dias melhores com a ascenção de negros, mulheres e homossexuais ao poder. As fotos são de Rubens Flôres.

DIARINHO – Encerra domingo a quarta semana da Diversidade de Floripa. Como é assumir o papel de gay numa cidade que ainda tem traços de preconceito?

Tiago Silva – Eu tenho 26 anos e vejo que há um avanço muito grande em você se assumir gay. Por que há este avanço? Porque estamos na quarta edição da parada. Porém, Florianópolis foi a última capital do Brasil a realizar este tipo de evento. Florianópolis tem uma dívida muito grande com a comunidade gay. [Qual é a dívida?] A morte do jornalista Norton. Este ano fez 20 anos de impunidade. [Norton Batista da Silva foi assassinado em 15 de julho de 1989, na avenida Hercílio Luz. Ninguém foi punido neste caso e o crime prescreveu este ano. Jovens da alta sociedade foram acusados de tê-lo assassinado, mas ninguém foi punido]. Florianópolis tem uma dívida com a morte de Ricardinho Bavasso [Ricardo Bavasso, que atuou na imprensa da capital, encontrado morto após um tiro no ouvido numa rua do bairro Santa Mônica, no final de 2005. Ricardinho tava maquiado e vestido de mulher quando foi encontrado]. Ainda vivemos numa cidade preconceituosa. E o preconceito não é só com a comunidade gay. O preconceito é contra o negro também. Não existem secretários de município e de estado negros. Hoje, a comunidade gay pode ir às ruas e dizer: ?Eu sou gay. Eu sou lésbica. Eu sou travesti?. É um novo período. Depois da parada gay você não ouve mais falar de assassinatos. Isso acontece porque agora eles sabem que as pessoas vão para a rua e se manifestam. Não é como há 20 anos que mataram o Norton, todo mundo sabe o que aconteceu mas ninguém falou. Vejo que Florianópolis hoje está diferente. [Hoje é mais fácil ser gay?] Hoje é mais fácil ser gay. Mas todo gay ou toda lésbica que assume paga um preço pela felicidade. O preço é o preconceito. Não é fácil. Tem que estar disposto a pagar este preço.

DIARINHO – Muitas pessoas falam que o senhor só promoveu eventos como a Parada da Diversidade e o Pop Gay porque tinha intenções políticas. É verdade?

Tiago Silva – Eu nunca tive pretensões políticas. Queria seguir a carreira jurídica. Não sou político por opção, sou político por uma causa. Eu tenho os meus projetos e vou apresentar. ?Ah, mas os projetos podem dar visibilidade política…?. Se toda a visibilidade política fosse alcançada por trabalho, eu tava feliz. Eu tava eleito.

DIARINHO – Na eleição passada, era esperado até dentro do seu partido, que o senhor fosse estourar em votos. Porém, ficou na suplência. O senhor acredita que gay não vota em gay?

Tiago Silva – Eu sou o único idealizador de uma Parada Gay, no Brasil, que se elegeu. Esse leque de eleição é muito mais amplo, tu tens que ter estrutura. Eu não tinha nem gasolina para andar com o carro. Não tinha panfleto. Algumas pessoas nem sabiam que eu era candidato. Nós quebramos uma barreira. Porque hoje tu vê a câmara, tu vê o senado, e é um reflexo do Brasil, só chegam os poderosos. Só chega o Collor, só chega o Sarney… Por que isso acontece, porque os movimentos sociais estão anestesiados. E no movimento gay não é diferente. Hoje, a representatividade está na Câmara, no Senado, mas não há representatividade social lá. Para que os movimentos sociais tenham representatividade é preciso que os partidos proporcionem isso. Quem é o movimento social no Senado, na Câmara Federal? Só chegam os poderosos. Quer um exemplo? Além do movimento gay, eu represento a periferia, o Morro do Mocotó. Aí quando chega a época da eleição, entre votar no Tiago que trabalhou socialmente o ano inteiro e em alguém que deu uma saca de cimento ou um banheiro, eles vão votar em quem? Em quem deu alguma coisa… E olha que faço trabalhos sociais reconhecidos pela cidade. Aí eu ouço: ?Ai Tiago, mas eu ganhei isso, aquilo?. [Qual a forma de acabar com essa política do assistencialismo?] Você não consegue fazer nenhuma outra revolução se não passar pela educação. Vejo que só vamos alcançar êxito se começarmos a ensinar às pessoas a não vender o seu voto. O seu voto tem consequência. Eu não dei nada na minha campanha. Só apresentei propostas. Eu mostrei o que eu podia fazer, que são os projetos que atualmente estão tramitando na Câmara.

DIARINHO – No dia de sua posse o senhor afirmou que, além do senhor, a Câmara de Floripa tem mais gays. Isso foi pra polemizar ou há mesmo alguém no legislativo que ainda não saiu do armário?

Tiago Silva – Eu não falei esta frase. Quando eu assumi eu disse: ?Esta casa agora conta com um gay. Não só com hetero?. Aí um colunista de esportes disse que eu não era o único gay. Aí eu disse: ?Gay assumido sou o único?. Eu não vou dizer que há gays na Câmara. Eu vou falar de mim. Eu não sirvo para apontar para a sexualidade do outro.
DIARINHO – Por que é tão difícil a aprovação da lei que autoriza a união civil entre homossexuais?

Tiago Silva – Esse projeto é da ex-deputada Marta Suplicy, e está parado há 14 anos no Congresso. Existe a bancada dos evangélicos, que tem em torno de 30 deputados federais. Trinta deputados no meio de 513 é uma bancada forte. Toda vez que há eleição para presidente da Câmara, é negociado com esta bancada evangélica que aquele presidente não vai colocar na ordem do dia aquele projeto. Enquanto nós tivermos políticos que pensam em causa própria, que pensam ?Eu quero ser presidente da Câmara e para isso eu não posso colocar este projeto em votação?, vai prevalecer o individual e não o coletivo.
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DIARINHO – O que é este projeto contra a homofobia que o senhor está defendendo na Câmara? [O projeto foi aprovado por unanimidade, na Câmara de Vereadores de Florianópolis, duas horas após Tiago conceder esta entrevista].
Tiago Silva – Eu vejo um grande avanço na Câmara. Mas isso só aconteceu quando nós elegemos um representante. Não vai existir nenhuma representação ou algum projeto que possa beneficiar a coletividade se nós não elegermos pessoas comprometidas com os movimentos sociais. [O que prevê o projeto?] Um exemplo: um casal de gays ou de lésbicas chega a um restaurante. Se eles forem convidados a se retirar do ambiente, o proprietário pode ser advertido, multado e até ter cassado seu alvará. Porque o dinheiro do casal gay é o mesmo do casal hetero. [Mas em 2009, isso ainda acontece em Floripa?] Sim, muitos casos. O que me chama a atenção é que os gays não gostam de denunciar porque são motivo de chacota dentro das delegacias. Com essa lei, aquele que sofrer discriminação será criminalmente penalizado e também penalizado na área administrativa pública. Serão apurados os fatos, porque precisamos apurar, não podemos condenar sem apurar. Este projeto vai possibilitar às pessoas denunciar. Se pagamos impostos, temos os mesmos direitos. Nós da comunidade gay no Brasil só temos deveres. Nós não temos direitos. Isso é um absurdo!

DIARINHO – Como foi a tramitação deste projeto na Câmara? Os religiosos fizeram oposição?

Tiago Silva – Existe um vereador evangélico aqui (Asael Pereira, do PSB). E eu conversei com ele e disse: ?Você é um vereador evangélico e eu sou um vereador gay. O senhor representa um segmento e eu represento outro?. E ele me disse que teria dificuldade em votar. Aí eu disse a ele que também teria dificuldade em votar os projetos dele. ?Mas eu lhe respeito como pastor e gostaria que o senhor me respeitasse como gay e que o senhor não crie nenhum atrito?. No parlamento a gente tem que ter como linha de frente a conversa. [Esse seria o único caso que poderia representar problemas para a aprovação do projeto?] Estamos na semana da Parada. Qual o vereador que votará contra? Eles pensam diferente do que pensavam lá atrás. Eles pensam assim: ?Eles estão se unindo. Eles estão votando?. Hoje é o Tiago, amanhã pode ser outro e assim vai. Convém votar a favor porque gay também vota. Até então, para eles, gay não votava.

DIARINHO – Na eleição passada, o seu partido se coligou com um adversário do atual prefeito Dário (o deputado estadual César Souza Júnior, do DEM). Naquela época, o senhor ocupava um cargo de confiança na prefeitura. Acredita que o prefeito Dário Berger poderá se vingar e não sancionar a lei da homofobia?
Tiago Silva – O prefeito Dário Berger participou na noite de terça-feira da abertura da Semana da Diversidade. Este não é um projeto do Tiago Silva. É um projeto que representa um movimento. Eu vejo o prefeito como um grande homem público que quer beneficiar o coletivo. E eu estou aqui fazendo parte da base do governo. Então o prefeito manda os projetos para esta casa e o Tiago tem votado.

DIARINHO – O que o senhor acha desse troca-troca de vereadores que acabou lhe colocando no cargo por dois meses? Acha que isso vai ajudá-lo politicamente em uma próxima eleição?

Tiago Silva – Ninguém se elege sozinho. Para eleger um vereador são precisos 15 mil votos. Temos vários casos, cito o Salum que fez 80 mil votos e não se elegeu vereador porque não fez legenda. [Roberto Salum, apresentador de TV, candidato a deputado federal há três anos]. Estou aqui cumprindo uma missão partidária. O partido me reconheceu, eu fiz votos, eu sou o primeiro suplente. Não estou aqui ocupando um cargo que não me foi creditado.

DIARINHO – O senhor tem se sentido rejeitado na Câmara?

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Tiago Silva – Na primeira semana eu me assustei. Fui para casa e pensei: ?Meu Deus, será que é isso que eu quero para a minha vida??. Aqui tem que ter muita coragem, firmeza e não deixar eles gritarem mais do que outro vereador. Porque se gritar eu também grito!
DIARINHO – O tradicional machismo latino-americano é culpado pela exclusão de gays e mulheres de postos de comando com representatividade?

Tiago Silva – Por que os homens têm medo das mulheres quando elas estão no poder? Porque a mulher se torna independente. Por que os homens têm medo dos gays no poder? Por que uma parcela da sociedade tem medo dos negros no poder? O mundo mudou. Nós temos o Barack Obama. O Brasil caminha para a mudança. Teremos na próxima eleição três candidatas à presidência da República com chances reais de se eleger: a Heloísa Helena, a Dilma Roussef e a Marina Silva. Eu vejo que as mulheres estão se tornando independentes. E os gays e negros também. A maior demonstração é a eleição do Barack. O mundo mudou. O Brasil também vai mudar.

DIARINHO – O único deputado assumidamente gay – o Clodovil, não levantava a bandeira GLBT. Ele trouxe algum benefício para a luta pela igualdade de direitos?

Tiago Silva – Eu vejo que a passagem do Clodovil foi bizarra. Uma passagem de deboche. O Clodovil investiu R$ 200 mil num gabinete enquanto o salário mínimo no Brasil é de 400 reais. É um deboche. Uma afronta. Eu não me sentia representado pelo Clodovil. A eleição do Clodovil foi uma demonstração de que o povo não sabe votar. Qual era a proposta do Clodovil? O que ele apresentou de projetos? Quando o Clodovil disse que não gostava de parada gay, era porque ele nunca foi um gay assumido. Ele veio se assumir agora. Era um gay frustrado. A passagem do Clodovil só ajudou o preconceito, ajudou as pessoas a terem mais preconceito. E nisso eu culpo também a mídia. A mídia coloca o gay em programas humorísticos como palhaço. E quando coloca o gay numa condição séria numa novela, por exemplo, você não tem o beijo. Que pecado tem nisso? Um beijo? Então a eleição do Clodovil é o retrato da mídia que sempre colocou o gay como um deboche! [E por ter apelo popular ele acabou se elegendo?] Imagina! Teve meio milhão de votos!
DIARINHO – Que importância tem o chamado ?dinheiro cor-de-rosa? para a economia de Floripa?

Tiago Silva – Florianópolis é uma capital turística, mas só se trabalhou Florianópolis vendendo as praias. E aí acabou o verão, janeiro e fevereiro, quem vai investir em Florianópolis? Este grande evento que é a Parada da Diversidade é em baixa temporada. Hoje pode ser que as pessoas ainda não reconheçam o potencial que tem a parada, mas daqui uns cinco anos vamos estar com público maior que o da parada de São Paulo. Lá, a parada é no meio de prédios. Me diz uma parada mais bonita e charmosa do que a nossa, que é na Beira Mar? Você desfilar para o mar. Então eu não tenho dúvida que na economia local este vai ser o maior evento desta cidade. [O senhor acha que a parada vem para ficar mesmo, mesmo com os gays assumindo postos de comando, com a diminuição do preconceito…?] O gay hoje está mais politizado. Há um avanço tremendo. Tenho visto vários gestos de carinho, vejo que o gay se sente representado. Estamos fazendo história. Há 20 anos você matava gay em Florianópolis e ficava todo mundo calado. Hoje você vai para as ruas, temos um vereador, então, as vozes começaram a gritar, a soar tanto entre os políticos quanto na sociedade. Isso tem um reflexo e um impacto. Eu te digo que não estou aqui por opção. Eu quis ser candidato porque as pessoas pediram. Eu tinha até vergonha de pedir voto. Eu tinha vergonha porque a política está muito desmoralizada. Temos que fazer parte desta história e ela passa pelo movimento gay. Florianópolis é uma cidade que se tu conhecer a história dela, é uma cidade muito preconceituosa. Essa passagem que tem aqui na praça 15 de Novembro, na frente do museu Cruz e Souza, só podia passar os brancos. Atrás os negros. Florianópolis não tem um secretário negro. O estado de Santa Catarina não tem um secretário negro! E quantos anos já se passaram da escravidão? Mas o negro ainda não é reconhecido. O político hoje, quando começa a eleição, aparece ao lado de um negro. Mas quando vai fazer a divisão dos cargos, não chama aquele negro para ocupar o cargo de primeiro escalão. Como você vai querer igualdade se o negro não está inserido? Essa questão também está presente no movimento gay. Eles vão lá na parada, falam que não têm preconceito, mas na hora… A própria ex-deputada Marta Suplicy, ela se contradiz no seu discurso. As insinuações que ela fez nas últimas eleições: ?Você sabia que o Kassab não é casado??.

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DIARINHO – O que se pode fazer para mudar a ideia do homossexual sempre vinculado à promiscuidade? É por causa do passado que apontava a condição como doença e loucura?
Tiago Silva – O movimento gay está passando por um processo de politização. Se nós queremos ser tratados como iguais e não como diferentes, esse processo de sermos iguais passa pela mídia, que não pode fazer chacota com a causa gay. Falam que o gay é promíscuo, mas não falam quando uma mulher está de peito de fora no carnaval. Não falam que ela é promíscua. Então já tem o preconceito. No carnaval as mulheres podem andar de peito de fora e não há promiscuidade. Então vem aquele preconceito do gay, o gay promíscuo, porque a grande mídia passou isso para a sociedade. Atualmente, qual o programa que dá mais ibope? Quando colocam um gay. ?Olha a faca, olha essas coisas…? Eu nem assisto. Quando vejo essas coisas eu nem assisto, porque eu não me sinto representado naquilo. O gay está aqui, eu estou aqui de terno. Quantos gays nós temos no judiciário, na área da saúde, na política? Isso é promiscuidade? Não é.

Como a parada gay vem contribuir na luta pela igualdade de direitos?

Tiago Silva – Na questão da visibilidade. Eu não estaria aqui hoje sendo vereador e vocês não estariam hoje aqui me entrevistando, se não fosse a Parada Gay. Mostramos que não somos poucos, somos muitos.

DIARINHO – É possível gays e heteros viverem em harmonia? A maior queixa dos heteros é receber cantadas do mesmo sexo, por que isso é tão ofensivo?

Tiago Silva – Aí quando o hetero ganha cantada de uma mulher, ele não acha ruim? Ele se sente ofendido? E quando o gay recebe cantada de mulher? Eu já recebi várias cantadas de mulher, só que o sinal não avança. O sinal não está verde, está vermelho para a mulher. Recebe cantada quem dá espaço.

Mas o gay está inserido na sociedade e ele sabe os seus limites.

DIARINHO – Incomoda o senhor ser chamado de viado ou bicha?

Tiago Silva – Imagina… Me incomodaria ser chamado de ladrão, de vagabundo, de drogado. Se isso que me chamam pra alguns é demérito, para mim é mérito. Se todo o mal do Brasil fosse esse…

DIARINHO – O senhor é negro, de origem pobre, nasceu no morro do Mocotó e é gay. Como se sente hoje após ter vencido na vida?

Tiago Silva – Eu devo ter jogado pedra na cruz. Três preconceitos enfrentados num só ser humano, tem que ter força. Eu tenho o meu lado espiritual, eu sou espírita. Nós não estamos aqui para dizer: ?Olha, eu vim para passar despercebido?. Então no meu lado espiritual, eu leio muitos livros kardecistas, eu vejo que eu tenho uma missão aqui na terra. A missão é esta luta contra o preconceito. Eu vejo que Deus me mandou para a terra com esta missão, eu não posso correr dela. Eu sou uma raridade no meio de quem nasceu no morro. É uma raridade estar ocupando esta cadeira. Ser gay, ser pobre, ser negro não é desonestidade. Desonestidade é ocupar um cargo público e pensar em si, não pensar nos outros. Os projetos que vou deixar para esta cidade, pode ser que eu nem venha concorrer numa outra eleição, mas só aprovando esses projetos eu já dei a minha contribuição à sociedade. Entre os meus projetos, tem o que dispõe sobre a liberdade de expressão; o que autoriza o poder executivo a dar suporte a menores durante o processo de investigação de paternidade. Por que você acha que a Sandra, filha do Pelé, faleceu? De desgosto, criou-se um câncer, talvez se ela tivesse um tratamento psicológico não teria chegado à morte. O outro projeto dispõe o teste de DNA gratuito para as mães que não têm como custear o exame e assim provar quem é o pai de seus filhos. Os dois projetos faço em homenagem à Sandra, filha do Pelé, que pra mim foi uma grande mulher. O projeto que institui obrigatoriedade de aplicação de curso pré-hospitalar aos professores da rede pública. Quantas crianças têm problemas dentro da sala? Os professores estão lá e têm um contato direto com elas. O projeto para implantar em Florianópolis a creche noturna. Por que quantas mães trabalham no período noturno?

Obrigatoriedade de aplicar adesivo de disque-denúncia contra a violência infantil nos ônibus. O outro projeto institui o dia de combate à homofobia e o outro institui o dia municipal do orgulho gay e da consciência homossexual, isso seria no mês de setembro, no mês da parada, para que possa ser inserido no calendário da cidade.

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DIARINHO – A Constituição determina a igualdade de todos perante a lei, mas o Código Civil ainda não regulamentou a questão da herança entre companheiros do mesmo sexo. Homens e mulheres que vivam como companheiros terão direitos sucessórios observados em caso da morte de um deles. Já um homem que viva com outro homem ou uma mulher que viva com outra mulher não terão este direito observado. Como superar esta contradição?

Tiago Silva – Eu sou muito crítico ao judiciário. Você acha que existe justiça no Brasil? Me cita o nome de um político corrupto que está preso?! Me cita o nome de alguém que é rico e está na cadeia. A justiça foi feita para pobre e negro! Não existe justiça. Os códigos são um faz de conta. Por quê? Qual é o parlamentar, o deputado ou senador que vai fazer uma lei para punir, se lá na frente ele ou o filho podem ser pegos? Imagina, não existe justiça. Existe justiça para uma parcela que não tem acesso à justiça. Uma vez fui muito criticado quando eu disse num programa de televisão: ?quer fazer uma reforma no código penal, no código civil, passa para o Ministério Público e para os magistrados fazerem?. Eles são os conhecedores. Agora você acha que os deputados e os senadores têm condições morais de fazer alguma reforma de código penal, sabendo que ele ou o filho podem ser pegos lá na frente. Você acha que o Collor ou o Renan Calheiros têm condições de apresentar uma lei que lá na frente pode pegá-los? [Então está tudo perdido?] Não, não está tudo perdido. Os movimentos sociais têm que acordar. Eles estão anestesiados. A partir do momento que tivermos mulheres, sempre acredito na mulher porque ela gera os filhos, porque ela gera a esperança. A esperança nasceu na criança. Essa juventude, junto com os movimentos sociais, pode dar essa resposta à sociedade.

DIARINHO – O senhor é casado?

Tiago Silva – Eu não estou casado. No momento eu estou ficando. Mas como eu não tenho tido tempo nem para ficar, eu estou solteiro, e não disponível.
DIARINHO – Pretender ter ou adotar filhos?

Tiago Silva – Eu pretendo adotar um filho quando eu possa me dedicar à educação desse filho. Hoje, se eu adotar, seria pra dizer à sociedade que adotei uma criança. Não quero isso. Eu quero adotar uma criança quando eu puder acompanhar ela na creche, na escola, na faculdade. Não vou adotar por adotar. Eu vou adotar para fazer o acompanhamento que os pais deveriam fazer. Hoje, os pais jogam os seus filhos no colégio e não estão nem aí. Atualmente, não tenho condições de adotar uma criança. Fico até 22 horas aqui na sessão, onde eu deixaria essa criança?

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Uma Resposta to “Tiago Silva: “A justiça foi feita para pobre e negro!””

  1. proconbc Diz:

    Tiago….Estou muito orgulhosa de ver vc no lugar que se encontra hoje, eu sabia que uma dia vc chegaria lá,meus parabéns.
    Gerusa

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