• Postado por Tiago

Assim como os presos, os tiras também estão indignados com a situação, já que a cena virou rotina nas duas delegacias da cidade. Na 2ª depê há oito presos. Na delegacia dengo-dengo, 10 presos se acotovelam em duas celas. Os policiais contam que cada vez que sai dois pra alguma unidade prisional, entram três malacabados e, por isso, o número só aumenta.

Além de revoltados com as condições em que os presos tão na celinha, os policiais reclamam que estão fazendo um trabalho que não é deles: o papel de agente carcerário. Os tiras ficam com a responsa de abrir as grades pra entregar comida e roupas que familiares levam pra turma de trancafiados. “Qualquer dia desses vai acontecer uma desgraça. Não há condições nenhuma desses presos ficarem aqui e ninguém toma uma providência”, lasca o delegado da 1ª depê, José Celso Correa.

O dotô e os tiras que trampam na delegacia temem que role uma rebelião no cubículo ou até mesmo que outros bandidos pintem na calada da noite pra libertar a galera, já que nos dias de plantão poucos policiais ficam de guarda. Na teoria, os presos poderiam ficar no máximo um dia nas depê, enquanto o delegado decide se assina ou não o flagrante.

Outra preocupação é com a saúde de quem tá atrás das grades e das pessoas que frequentam o espaço, como advogados e os próprios policiais. Segundo os tiras, o ambiente fechado, úmido e com esgoto aberto é um prato cheio pras doenças se proliferarem. E o pior é que os tiras não sabem quando as celas poderão ser esvaziadas, já que não há uma previsão do departamento de Administração Prisional (Deap), responsável por indicar as vagas nos demais presídios do estado, de resolver o problema. “Quando eles veem que é ligação da delegacia, eles desligam o telefone”, brincam os policiais peixeiros.

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