• Postado por Tiago

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Inácio quase ficou cego e agora, sem poder trabalhar, não tem como sustentar a família

O pedreiro Rodrigo Inácio Andrade, 34 anos, viu a morte de perto esta semana. Ele é morador do bairro Monte Alegre, em Camboriú, e foi atingido por pedaços de um enorme tubo de concreto que foi deixado no alto do morro da rua Monte Sião e rolou ladeira abaixo até atingir seu casebre. O coitado teve ferimentos feiosos no rosto, precisou se afastar do trampo e agora não sabe como vai sustentar a família.

O acidente rolou na noite de segunda-feira. Durante a tarde, a peãozada da secretaria de Obras largou no alto do morro vários canos de concreto usados pra tubulação do escoamento de água da chuva. Uma criançada sem-noção foi brincar com os tubos, que acabaram rolando pela ladeira.

A porrada foi tão grande que detonou a parede da casinha de madeira onde o pedreiro vive com a mulher e o filho de 13 anos. Ao atingir o casebre, os tubos quebraram e os pedaços voaram pra cima de Inácio. Ele sofreu cortes profundos e hematomas no rosto, nos ombros e nas costas. Por pouco, não teve o olho atingido.

O pedreiro, injuriado, chamou a polícia Militar, que o acudiu e levou os dimenores que empurraram os tubos pra delegacia. Os aborrescentes sem-noção foram ouvidos, mas acabaram liberados.

Inácio foi levado ao hospital, ganhou uns curativos e foi proibido de trampar por um bom tempo. ?Eu trabalhava por conta, recebia R$ 50 por dia e agora tô sem nada?, siqueixa.

Ele culpa a prefa por ter largado os tubos irresponsavelmente no alto da ladeira. ?É responsabilidade da prefeitura. Se alguém compra um material desses, é obrigado a colocar pra dentro do pátio, não pode deixar no meio da rua. Ainda mais em cima do morro?, lasca Inácio, que tá revoltado, machucado e no prejuízo.

O mínimo que o pedreiro espera, agora, é uma ajuda da prefa pra poder arrumar sua casa e dar de comer pra sua família. ?Quero que a prefeitura me dê uma mão?, afirma.

Vão bizolhar

João Muller, chefão do escritório da secretaria de Obras do Monte Alegre, disse que os canos foram colocados no morro porque a obra seria feita no dia seguinte. ?Ainda escolhemos um lugar que não fosse rolar?, garantiu. Ele contou que procurou Inácio em sua casa. ?Falei com ele, mas quem tem que ver o que vai ser feito agora é o secretário, o Márcio Rosa?, disse, jogando a batata quente nas mãos do abobrão da secretaria de Obras. Márcio Rosa não foi encontrado pra comentar o caso.

No comecinho da noite de ontem, a prefeita loirosa Luzia Coppi Mathias (PSDB), que havia chegado de um rasante em Brasília, disse que tinha acabado de saber da história e precisava se informar melhor para depois decidir o que vai fazer. ?Vamos apurar o que aconteceu. Se foi responsabilidade da prefeitura, não vamos fugir dela?, prometeu.

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