• Postado por Tiago

Meu convívio com Paschoal Apóstolo Pítsica foi sempre meio de longe, já que vivo eu cá no meu Vale, e vivia Paschoal na doçura dessa Ilha onde se dão tão bem os descendentes dos gregos que de outras ilhas vieram um dia.

Mas foi sempre bom o meu convívio com ele: ele era conselheiro, era amigo, era o prestimoso presidente com quem eu sempre podia contar, era o chefe que se multiplicava para que alguma necessidade ou desejo meu sempre fosse atendido com grande presteza. Foi no tempo da sua administração que entrei na Academia Catarinense de Letras (ACL), e ele queria saber do meu gosto, de quem queria eu a trazer-me para dentro da insigne Academia. Disse-lhe que queria que fosse o Flávio Jose Cardoso e o Silveira de Souza, e isto já era na tarde da solenidade da minha posse, e ele não titubeou: por telefone, em instantes, resolvia as coisas para que a minha vontade fosse feita. E pela prestimosidade dele, tenho a honra de ter entrado na ACL de braços dados com o Flávio e o Silveirinha, companheiros de alguns antigos bares e umas poucas aventuras, no tempo em que éramos mais jovens e resistíamos melhor ao álcool.

Queixa nenhuma teria eu a fazer do “meu presidente”, que era como lhe chamava. O meu presidente me servia chá importado na sua casa, me emprestava livros que ninguém mais tinha, me dava conselhos. Era um grande homem, nascido para liderar mesmo uma turma complexa como é a nossa, e o fazia com um prazer que só o dignificava.

Na sua companhia adentrei a alguns recintos sagrados do Brasil, como a Academia Brasileira de Letras e o fantástico Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, que por causa dele abriu suas portas secretas, onde entrei morta de curiosidade, e acabei vendo e vivenciando livros, objetos e atmosfera que nunca pensara vivenciar.

Tinha uma importância grande na minha vida, o “meu presidente”, claro que tinha! E então imaginem o baque que foi receber a notícia de que ele partira, assim tão cedo, assim com uma esposa ainda tão moça e com filhos que mal tinham acabado de crescer! Estava inconsolável quando deixei meu Vale para vir a esta Ilha lhe desejar boa viagem para o outro lado. Fico pensando, aqui, que agora ele pode ver suas ilhas amadas, a daqui e a de seus ancestrais, e que reúna a todas no seu amor, e que de lá, da sua posição privilegiada, tenha um amor maior do que o humano para envolver, também, a nós, da sua gente, principalmente aos familiares queridos.

Boa viagem, meu querido Paschoal! A sua marca ficou aqui neste Vale de Lágrimas muito bem marcada, sem dúvida, principalmente pelo coração. Há de haver um lugar cheio de gregos e brasileiros, lá para cima, onde está havendo uma grande festa porque você chegou!

(Obs.: Este texto foi escrito em 2003, quando do falecimento de Paschoal Apóstolo Pítsica, presidente da Academia Catarinense de Letras.)

Blumenau, 02 de Agosto de 2003.

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