• Postado por Tiago

Parte dos áudios das gravações tefônicas grampeadas pela polícia Federal na operação Transparência foi jogada no ventilador. Ontem, o jornalzinho da noitinha da RBS divulgou trechos dos grampos de conversas envolvendo os empresários Marcos Pegoraro e Eugênio da Silva, a advogada Vanderléia Aparecida Batista e o vice-governador Leonel Pavan (PSDB).

Na verdade, o vazamento dos áudios não representa nada de novo, já que o conteúdo das gravações já vinha sendo revelado pela imprensa desde quando estourou o escândalo, no início de dezembro. As gravações mostram conversas entre os empresários, nas quais um deles comenta que fez um pagamento pra Pavan.

Este suposto pagamento, segundo as conclusões do Ministério Público, seriam os R$ 100 mil em troca da intervenção do vice-governador a favor da empresa Arrows Combustível. “Está tudo certo com o Pavan, até porque já paguei”, disse o empresário Pegoraro, no áudio captado pela PF.

Outro grampo, desta vez de uma conversa entre Pavan e a advogada tucana Vanderléia, seria o que o Ministério Público considera como prova de que o vice-governador cometeu o crime de quebra de sigilo funcional. O áudio revela Pavan contando para Vanderléia que a empresa Arrows vinha sendo investigada pelo Ministério Público.

Além dos áudios, também vazaram imagens de Pavan e os empresários no aeroporto Hercílio Luz, em Floripa. De acordo com a investigação da PF, teria sido neste encontro, ocorrido na noite de 18 de março de 2009, que rolou o suposto pagamento de R$ 100 mil pro tucanão. Por outro lado, as imagens, captadas de câmeras do sistema de segurança do aeroporto, não mostram Pavan recebendo nada dos empresários.

Entenda o rolo

Pavan se preparava pra assumir o governo do Estado no dia 5 de janeiro, quando no início de dezembro soube que tava indiciado no inquérito da PF que investigava a empresa de combustíveis Arrows. A notícia caiu como uma bomba no meio político catarinense e resultou na desistência do vice em assumir o governo, como tava previsto.

A PF indiciou Pavan e mais seis pessoas. O vice-governador foi indiciado pelos crimes de corrupção passiva (receber grana em troca de favor), quebra de sigilo funcional (vazar informações sigilosas) e advocacia administrativa (usar do cargo público pra defender interesses de particulares). Todas as acusações foram acatadas pelo MP, que denunciou o tucano e as demais seis pessoas ao Tribunal de Justiça.

Pavan nega todas as acusações e afirma categoricamente que não recebeu grana nenhuma. Ele também diz que atender empresários faz parte das atividades normais de um homem público. O advogado contratado pelo vice-governador, Cláudio Gastão da Rosa Filho, tem afirmado que não há provas de que seu cliente tenha cometido algum ato ilegal.

  •  

Deixe uma Resposta