• Postado por Tiago

Demorou um século e mais alguns anos pra alguém se ligar que a agave, planta muito comum no Brasil, tem outro uso além de decorar jardins. Existente no país desde 1900, quando chegou à Bahia, a madeira que sai dessa planta tem tudo pra revolucionar o surfe, já que pranchas com esse material tão sendo fabricadas no Brasil, mais precisamente em Itajaí, num projeto desenvolvido por Marcelo Ulysséa, acadêmico de oceanografia da Univali.

De 2001 a 2005, quando morou na Califórnia, paraíso dos surfistas nos Estados Unidos, Marcelo conheceu a prancha de madeira, lá desenvolvida por Gary Linden, experiente surfista de ondas grandes e famoso por usar vários tipos de madeira pra fazer pranchas artesanais. “Surfei com o Gary e, pra minha surpresa, a prancha funcionava. Fiquei curioso e comecei a catar madeira”, conta.

Meio diferente das demais plantas conhecidas, a agave, por incrível que pareça, não tem madeira. O que rola é que ao final do ciclo de vida da planta, que dura de sete a 12 anos, uma tora de madeira começa a crescer, chegando a alcançar 12 metros, num período entre 30 e 40 dias. É a partir desse tronco que a madeira é retirada pra fabricação da prancha ecológica. “Essa planta é uma espécie invasora e a matéria-prima pode ser usada pra fazer prancha. Aí elaborei o projeto. Ela já ocupa uma área de 2100 hectares no litoral de Santa Catarina”, diz o carinha.

Viva a natureza

Mais do que uma inovação, a prancha de madeira também traz benefícios à natureza, já que a madeira da agave é nociva, ou seja, faz mal pra alguns tipos de ecossistemas, como dunas, restingas e mata atlântica. Ao invés disso, a ideia de Marcelo foi retirar essas madeiras que, ao caírem no chão, causam danos ao meio ambiente. “O surfe é um esporte limpo, mas as pessoas não percebem que a prancha tradicional, feita de poliuretano, é altamente poluída”, fala Marcelo.

Ainda leve, mas cara

Outra novidade é que estas pranchas são biodegradáveis. “Caso a prancha quebre, o que é muito difícil, ela vira adubo orgânico e alimento pra cupim e formiga”, explica. A madeirona também vai ajudar os brous a serem os caras dentro do mar. “Cada prancha é única, porque a coloração da madeira muda conforme a seiva dela”, completa Marcelo.

Mas com a boa novidade, o preço salgado vem junto. Como precisa de mão-de-obra maior do que na fabricação de pranchas normais, o preço das pranchas pode chegar a 1200 reales. “O bloco de madeira é igual ao de poliuretano e tem mais flutuação”, explica.

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