• Postado por Tiago

Tire da cabeça a idéia de um colono matuto, com a enxada não mão e analfabeto. Para produzir e dar vazão a seus produtos, os membros da pequena comunidade cumpriram direitinho uma lição básica do capistalismo: montaram um plano de negócios. Estudaram o mercado, avaliaram suas capacidades e planejaram a produção.

O negócio deu tão certo, que hoje são fornecedores de dois supermercados da rede Angeloni, que é a maior do ramo supermercadista de Santa Catarina e está entre as nove maiores do país. Também têm outros 28 clientes em Joinville, entre supermercados, mercearias e verdureiras.

De segunda à sábado, o caminhão Volkswagen, ano 2007, sai de madrugada do assentamento com pelo menos 800 pés de alface, 400 de brócolis, 300 de rúcula, 150 de couve-flor, além de 400 maços de cebolinha verde e 450 de salsinha.

Mas a administração não se descola da política e nem da utopia. “A gente produz aqui mais do que verduras. A gente tá plantando a semente de um mundo novo, humanizado”, ensina Leandro Daniel, enquanto arranca um belo pé de alface de uma das roças do assentamento.

Fazendeiro elogia

Para dar conta da produção, os sem terra precisaram arrendar outras cinco áreas, pertencentes a vizinhos.

“A relação com eles é muito boa. São um pessoal diferenciado. Sempre estão trabalhando e você não vê nenhuma malandragem”. Por incrível que pareça, o elogio vem de um fazendeiro. Seu Américo Moraes Valença, 60 anos, é criador de gado e arrendou uma pequena parte de suas terras para os moradores do assentamento Conquista do litoral.

Disse que conhece os sem terra há 18 anos, desde que ocuparam uma fazenda perto dali. Perguntado pelo DIARINHO se não tinha medo de que invadissem suas terras, o velho pernambucano de olhos azulados respondeu rindo: “Não tenho não. Bem, pelo menos desse pessoal”.

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