• Postado por Tiago

Esta foi só a segunda vez que Pavão caiu nas garras dos homisdalei. Em 1994 Pavão foi preso em Balneário Camboriú quando tava começando no ramo do tráfico. O traste ficou na jaula por um ano, foi transferido pra Floripa, foi solto, voltou pro tráfico e não caiu mais nas mãos da polícia até a prisão do último domingo. Ele simandou pro Paraguai, onde a polícia brasileira não podia entrar e comprou as otoridades da região, pra garantir que ia continuar mandando no tráfico internacional sem ser incomodado.

Em 2007 o cara siscapou por pouco de um atraque do Senad durante uma operação na Estância Quatro Filhos, na cidade de Pedro Juan Caballero. O filho dele, José Martinez Mendi Pavão, não teve a mesma sorte e foi parar na cadeia com mais 11 caboclos que trampavam pro barão do pó, entre eles um tio do cara. Pavão foi avisado por um dos chefes da polícia paraguaia do atraque e conseguiu driblar os agentes. Na época, uma caminhonete com 107 quilos de cocaína foi encontrada perto da propriedade.

Embora tenha sido preso só uma vez enquanto esteve em solo brasileiro, volta e meia alguém da megaquadrilha comandada pelo traficante ia em cana com grandes quantidades de cocaína. Pavão também não se importava em meter a família no negócio. Em 2002, pararam atrás das grades a muié, a sogra e o cunhado do cara. Laranjas, entregadores e traficas menores também foram guentados durante a década, menos o chefão.

Em 2003, 11 gerentes do tráfico no morro de Floripa foram presos pela polícia federal, todos subordinados a Pavão. Até a amante do bandido, Rosana Francisca da Silva, foi em cana em Balneário Camboriú, em 2004. Desde que a companheira oficial foi pra jaula, Pavão arrumou outro rabo de saia, que trampava na delegacia da Maravilha do Atlântico e encobria as falcatruas do traficante.

Ela foi denunciada pela primeira vez nas páginas do DIARINHO, que descobriu o rolo. Rosana se tornou o braço direito do safado e administrava os negócios do trafica na Santa&Bela.

Como o valor das vendas de cocaína eram absurdos, os traficantes costumavam pagar pela droga com carrões, que eram levados pra Ponta Porã pela própria amante e revendidos em uma garagem que Pavão tinha por lá. A revenda era usada pra esquentar a grana do tráfico.

Outra revenda ficava em Itapema, onde o proprietário foi preso também em 2004, quando pelo menos oito carrões de Pavão tavam ali pra venda. O traste caiu por lavagem de dinheiro.

Grana a rodo

Pavão fazia parte de um grupo de 12 traficantes paraguaios e brasileiros que comandavam a distribuição das porcarias para os dois países e também para Europa e Estados Unidos. A droga era comprada direto das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e transportada por aviões particulares em viagens feitas pelos próprios barões. Durante a década, Pavão mandava só pra Santa Catarina cerca de 280 quilos de pó por mês, vendendo cada quilo por 12 mil reales, faturava uma fortuna todos os meses.

Como foi a prisão

* 10 fuzileiros do Senad cercaram a fazenda conhecida como hotel, localizada a 35 quilômetros da fazenda Quatro Filhos, que pertence a Pavão, no distrito de Ybi Yaú, no Estado de Concepicion, dentro da operação Capricórnio

* Debaixo de uma forte chuva, os bandidos não viram a chegada da polícia. O local é de difícil acesso e rodeado por montes. Na hora da operação a quadrilha tava dormindo em cômodos diferentes

* Javis Chimenes Pavão, Carlos Antônio Caballero, o Capilho, e os três capangas foram presos sem oferecer resistência

* Bandidos tavam armados com dois fuzis M4, um fuzil AR 15, duas escopetas calibre 12, quatro pistolas nove milímetros, carregadores e grande quantidade de munição

* A fazenda escondia 10 mil dólares, 4,5 mil reais e 37 milhões de guaranis, algo em torno de 139 mil reais, documentos e pequena quantidade de droga

* Os cinco presos foram transferidos desde o estado de Concepcion até a base do Senad em Assunção de helicóptero

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