• Postado por Tiago

Ciclistas tão na mira da Pink

Um projeto que tá tramitando na Câmara de Vereadores de Balneário Camboriú quer obrigar os ciclistas a fazerem um curso e tirarem carteirinha pra poderem circular pela city. Quem for pego sem o papéli tá sujeito a ganhar uma multa e ter a bike apreendida. A proposta, que promete causar um baita bafafá, é da vereadora Christina Barichello (PPS). A pink acha que a novidade vai servir pra que o pessoal que roda de ziquinha pelaí tenha mais responsabilidade e ande conforme manda a lei. Mas a ideia divide a galera que usa a bicicleta como meio de transporte.

O texto do projeto diz que, pra poder circular em duas rodas pela Maravilha do Atlântico, vai ser preciso passar por um curso de quatro horas, que será oferecido digrátis. Só depois de assistir as aulas, que vão rolar nas escolas municipais, sob a responsa dos professores da secretaria de Educação e do pessoal do fundo Municipal de Trânsito (Fumtran), o ciclista ganha a carteirinha que dá direito a dar umas bandas de zica.

O cursinho, que tem que ser renovado a cada quatro anos, não vai poupar a turistada e nem os pequerruchos. A ideia é que crianças a partir dos seis aninhos de idade já tenham que passar pela sala de aula pra poderem pedalar. ?Do zero aos cinco anos a criança não vai andar pela rua, anda no máximo dentro do quintal de casa ou na garagem do prédio?, justifica Christina.

A proposta carca a responsa de fiscalizar se os ciclistas têm ou não a carteirinha pra cima dos guardinhas de trânsito e da puliça Militar. Quem não obedecer à regra tá sujeito a uma multa. O canetaço também vale pra quem desobedecer as leis de trânsito e andar por cima da calçada, na contramão ou ultrapassar o sinal vermelho, por exemplo.

A vereadora diz que o objetivo é regulamentar as pedaladas pela city pra evitar que o pessoal que anda de bike sistrepe em porradaços. ?A gente tem um trânsito caótico, até por causa da arquitetura da cidade, e o pessoal não respeita a sinalização. Vamos fazer um ordenamento pra evitar acidentes?, diz a Pink. Questionada se não seria mais fácil abrir ciclovias pelo município, a vereadora diz que não. ?Quem dera pudéssemos implantar ciclovias por toda a cidade, mas na avenida Brasil, por exemplo, se tirar o espaço pode acabar com a área de pedestres?, diz.

Falta fiscalizar

Pro presidente da Associação dos Ciclistas do Balneário, Fernando Baumann, a proposta é furada. ?Não me parece adequado. Se a polícia Militar e os agentes de trânsito fiscalizarem o que já tá nas leis de trânsito, boa parte dos problemas tá resolvida?, diz. Ele lembra que, por lei, as ziquinhas já são consideradas veículos e portanto tão sujeitas às mesmas regras de carros, motos ou caminhões. ?Outro dia vi um ciclista passar pela contramão, na frente de um agente de trânsito e ele não falou nada. Seria o momento de ele chamar a atenção do ciclista. A bicicleta é um veículo e deve se comportar como tal?, lascou.

O motorista Silvano Albigaus, 28 anos, que ontem dava umas bandas de bike pelo centro da city, também acha que não é uma boa ideia. ?Não faz sentido ter carteira pra andar de bicicleta que nem pra andar de carro. Vai acabar com o turismo?, acredita. O entregador Inácio da Silva, 17, que trampa montado em sua ziquinha, diz que não vai fazer o tal curso. ?Não vai funcionar. Eu não faria?, avisou.

Mas também tem quem jogue confetes no projeto. ?Pra mim seria ótimo. Se tiver multa pra quem faz alguma coisa errada no trânsito, vai doer no bolso e o pessoal vai começar a respeitar?, disse a empregada doméstica Eva Camargo, 38, trepada em sua bicicleta.

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