• Postado por Tiago

Dois vereadores de Brusque tão sendo investigados por terem sido beneficiados pelo esquema da jogatina ilegal pra conseguirem votos. Grampos autorizados pela dona justa revelam intimidade dos caras com indiciados pela Arrastão

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Ademir Braz de Souza

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Roberto Prudêncio Neto

O esquema revelado pela operação Arrastão, deflagrada pela Polícia Federal em março passado, ia muito além das vistas grossas de policiais civis e militares à jogatina. O DIARINHO teve acesso a gravações telefônicas, com autorização da dona justa catarina, que revelam que a troca de favores chegou até a campanha eleitoral. Dois vereadores de Brusque tão sendo investigados por terem usado grana ilegal pra se elegerem.

As gravações correspondem a um período que vai de agosto a novembro do ano passado. As eleições rolaram no dia três de outubro, e até que o povão fosse às urnas, Aleander Muller, apontado pela justa como o cabeça da quadrilha que agia comandando os cassinos clandestinos em Brusque, Tijucas, São João Batista e Canelinha, se esforçou pra botar seus candidatos na casa do povo brusquense.

O grampo nas conversas telefônicas de Aleander revela que um dos beneficiados com seu apoio foi o então delegado regional de Brusque, Ademir Braz de Souza, que se elegeu pelo PMDB. O dotô tinha uma relação tão próxima com o mandachuva do bando, que marcava as reuniões pra tratar dos negócios do jogo ilegal dentro da delegacia regional, na maior cara de pau.

Anotações encontradas na baia de Aleander em Brusque revelam que o delegado chegou a embolsar R$2 mil pra deixar de combater o jogo. Os donos de papa-trouxas o chamavam de ?o cara do dinheiro?, numa referência à mesada que desembolsavam pelo cala-boca do dotô.

No esforço pra garantir a vaguinha do delegado amigo na casa do povo, Aleander chegou a fazer telefonemas pros chegados pra pedinchar votos. A mãozinha do empresário na eleição do dotô fica clara numa conversa que os dois tiveram em outubro. Logo após Ademir ter ficado sabendo que tinha sido eleito vereador, ele agradece Aleander pela ajuda e diz que se elegeu com um ?jeitinho brasileiro? (veja quadro).

Pra garantir que teria alguém pra representar os interesses da jogatina na câmara, Aleander também estendeu seu apoio a outro candidato. Isso fica claro numa conversa telefônica que ele tem com um homem de nome Beto, no dia 10 de agosto. O cara quer negociar votos em troca do pagamento da documentação da moto do filho, que tá atrasada. Ele pergunta se o delegado Ademir não poderia resolver o problema, e Aleander responde que vai fazer o favor em nome ?daquele outro lá?.

O tal ?outro? é o vereador Roberto Prudêncio Neto (PDT), ex-secretário de Desenvolvimento Regional de Brusque. Ele parece ter uma relação bem próxima com o chefão da quadrilha. Tanto que se intromete nas negociações com meganhas corruptos e chega a sugerir que um soldado da PM leve um ?cagaço de cima?, durante uma conversa com Nauro Galassini, o Pardal, ex-barnabé da prefa de Brusque. O motivo são as apreensões de papa-otários que o milico estaria fazendo por conta (veja quadro).

Um dos funcionários de Aleander, Fabiano Ruaro, aparece numa das gravações pedindo votos pra Roberto, no dia 28 de agosto de 2008. Pra que o negócio ficasse acertado, as pessoas deviam fornecer cópias de seus títulos de eleitor. ?Ele (Aleander) queria ajudar em dinheiro, mas ele não quer em dinheiro?, diz Fabiano, explicando que o cara preferia a ajuda em votos.

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