• Postado por Tiago

Vanice espera ansiosa para inaugurar a casa doada pelo Ressoar

Texto: Renata Rosa

No dia 22 de novembro do ano passado, sábado à tarde, Vanice dos Santos estava com as duas filhas na casa em que morava há 18 anos no Promorar, fazendo os afazeres domésticos, quando a chuva que vinha caindo há meses começou a ficar mais intensa. Com medo de perder o que duramente conquistou como zeladora de uma firma, ela tratou de levantar os eletrodomésticos e simandou com as filhas pra casa da irmã, a duas quadras dali. À noitinha, Vanice viu o bairro todo ficando alagado e correu pra casa pra salvar alguma coisa, mas era tarde demais, sua rua tinha submergido.

Na volta pra casa da irmã, o pior aconteceu: não havia mais como ficar, pois a água tinha chegado a 1,30 m. Sem ter pra onde ir, o jeito foi sair pelas ruas, apenas com a roupa do corpo, pra pedir ajuda. Foi aí que passou um caminhão da prefa e lhes deu carona até um abrigo. A família foi pro Caic, que também ficou tomado pela água. Desde então, Vanice nunca mais voltou pra casa.

Hoje, ela ainda mora com a irmã na casa do Promorar, enquanto a casa que foi prometida pelo Instituto Ressoar tá sendo erguida em seu terreno, que ganhou uma bela carrada de terra. A casa de cerca de 40m² já está erguida, faltando o acabamento, mas a qualidade não parece ser melhor do que a meia dúzia de casinhas erguidas no começo do ano perto do loteamento Dona Nina, na Murta. Se nas primeiras o problema era o local alagadiço e a frágil madeira de pinus, desta vez as casas são feitas de uma madeira compensada, semelhante aos móveis que ficaram inutilizados na enchente. Mesmo assim, Vanice está ansiosa pra morar no que é seu.

?Só falta acertar a instalação da fossa, mas não dá pra me mudar enquanto isso não for resolvido?, lamenta. Ela conta que, durante o ano que passou, ficou desempregada, caiu em depressão e viu na oferta do Ressoar a única luz no fundo do túnel. ?Quando voltei pra casa e vi minhas coisas boiando e a defesa civil disse que eu não podia mais voltar, deu um desespero muito grande. Como eu ia conseguir começar do zero? Sem contar que pra conseguir o laudo de interdição foi uma novela. Só em julho tive a promessa da construção da casa?, relata.

Vanice é uma dos poucas pessoas atingidas pela enchente que tiveram perda total da casa e moravam no próprio terreno, por isso viraram prioridade pro Ressoar, que arrecadou R$ 10,5 milhões e prometeu fazer 100 casas em Itajaí e outras 600 em outros municípios atingidos, como Blumenau. Mas, assim como na cidade galega, não havia terreno público disponível pra construção das casas, aí, a solução foi construir casas em outras cidades, como Ilhota, Gaspar e Brusque.

?Nós fizemos a nossa parte, a prefeitura é que não fez a dela, que era oferecer o terreno. Por isso, das 100 casas prometidas, Itajaí vai ganhar, no máximo, 63 casas, isso se encontrarem terreno até a primeira quinzena de dezembro, pois temos um prazo a cumprir junto ao fornecedor. Nem das casas construídas na Murta a prefeitura apresentou documentação até hoje?, lascou Franklin Ribeiro, diretor do Ressoar.

Por enquanto, apenas 25 pessoas como Vanice, que têm terreno, terão a casinha construída, mas o prazo da conclusão é incerto, pois é a mesma empresa tá construindo casas em vários municípios. Cada casa custa R$ 15 mil. Em Blumenau, onde pessoas morreram soterradas, a situação é ainda pior. Apenas uma casa foi construída pelo Ressoar, pois os terrenos das pessoas vieram abaixo. Por lá, o Ressoar fez uma parceria com o Instituto Guga Küerten, que comprou um terreno pra construção de 13 casas.

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