• Postado por Tiago

CONTRA-BAIXO---s---taekwondo---internet-24.09.09

Cego e com queimaduras em todo o corpo, o mexicano Sue Aguayo, faixa preta no taekwondo, compete com pessoas sem deficiência e é exemplo dentro e fora dos tatames

Chegou ontem, em Itajaí, o mexicano Sue Aguayo, 31 anos, faixa preta de taekwondo. Até aí, tudo normal. Mas ao conhecer sua história de vida, percebemos que Sue é um exemplo pra todos. Nascido na Cidade do México, ele conheceu o esporte em 2004. Desde então, coleciona títulos e aplausos por onde passa, mesmo com cegueira total e queimaduras por todo o corpo.

A história de superação começou aos cinco anos de idade, quando sua mãe percebeu que ele não enxergava bem. No hospital, um exame médico constatou que Sue tinha cegueira total no olho esquerdo e grave miopia no direito ? anos mais tarde, ele perderia a visão completamente. ?Minha família chorava descontrolada, mas disse que havia ficado cego e não que ia morrer?, lembra Sue.

Antes mesmo de perder a visão, o mexicano passou por outro drama. Um acidente quase fatal, na volta das festas de Natal. No caminho, um ônibus jogou o carro onde ele estava pra fora da pista, resultando na morte da tia grávida e da prima. Sue e a mãe sofreram queimaduras pelo corpo e escaparam por pouco da morte. ?Deus me levantou das cinzas e me mostrou coisas maravilhosas ao meu redor?, conta o atleta.

Único no mundo

No México, Sue conheceu as artes marciais através de amigos que tinham uma academia. Eles o convidaram pra treinar e não parou mais. ?Apenas treinava, não lutava. Aos poucos, o treinador, que nunca tinha treinado um cego, me ensinou e fomos nos entendendo?, explica.

Como seu caso era inédito, o mexicano lutava contra pessoas sem deficiência, impressionando ainda mais. Para ajudá-lo durante o combate, Sue precisa que o adversário use ?cascabeles?, espécie de colar com sinos, com som similar ao do chocalho de uma cobra cascavel. Com o barulho do movimento, Sue segue o oponente e luta normalmente. ?A reação do público é boa. Eles veem o esforço e aplaudem?, conta o faixa preta, que pensa em parar em três anos.

A Confederação Mundial de Taekwondo não permite que lutadores com deficiência participem de campeonatos ?normais? e Sue pouco compete. Mas quando é autorizado, não decepciona. Ele já conquistou títulos no México, Argentina e Espanha. ?Não há nenhuma outra medalha na minha cabeça?, diz Sue, que pensa em ir pro mundial em 2011.

Objetivos traçados

As dificuldades que passou fizeram de Sue um vencedor dentro e fora dos tatames. E inspiração é com ele mesmo. ?Algo que me ajudou foram os sonhos. Tive um em me tornar faixa preta, não foi fácil, mas treinei forte, sofri lesões, tinha pouco dinheiro e consegui. Outro era mostrar pro mundo que podia competir, e consegui?, conta.

Outra coisa que o ajuda é a vontade de vencer, não só na vida. ?Tem que se imaginar como um campeão, não tem que ter medo do êxito. Em cada passo que dou ponho sempre mente e coração. Não tem coisa melhor do que ganhar. E eu ganho todos os dias?, finaliza.

Atletas chegam a Itajaí pro Mega Open

Aos poucos, a city peixeira vai se transformando na capital sul-americana do taekwondo, onde no findi rola o 10º Mega Open International Taekwondo Championship. Além do mexicano Sue, hoje chegam argentinos, paraguaios, bolivianos e peruanos. Do Brasil, lutadores de diversos estados também estarão presentes, somando 500 atletas no total.

Na tarde de hoje, rola a entrevista coletiva com os atletas, na fundação municipal de esporte e lazer de Itajaí, anexa ao ginásio de esportes Gabriel Collares, que será palco da maior competição de taekwondo do sul do país. No sábado, a principal atração vai ser uma luta demonstração do mexicano Sue, por volta das 16h30, que vai competir mesmo no domingo, dia dos lutadores faixa preta. ?Vai ter uma observação no campeonato dizendo que ele (Sue) pode usar o colar (cascabeles)?, diz Lenoir Oliveira, organizador da competição.

Acompanhado da aluna Letícia Espinal Campos, o mexicano vai competir na categoria pra lutadores até 67kg. ?Venho pra ganhar. Fui convidado no ano passado, mas como não tinha dinheiro pra bancar a viagem vim este ano?, conta Sue.

O número de participantes do México só não é maior por causa da gripe A. Outros 16 atletas da terra da tequila eram esperados, mas como são de cidades do interior, onde a gripe se espalhou, foram barrados. Já quem curte futebol argentino vai gostar da presença da equipe do Boca Juniors de taekwondo.

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