• Postado por Tiago

ESPECIAL ABRE - g - Radar Móvel (1)

Em três dias, bizolhudo pegou 500 apressadinhos

O coordenadoria de trânsito peixeira (Codetran) ressuscitou, em junho, o radar móvel. O equipamento ficou funcionando por 22 dias em várias ruas da cidade, pra conscientizar os motoras e alertar sobre as multas salgadas que estavam por vir. A estratégia não funcionou muito bem, porque só no primeiro dia de trampo pra valer do radar bizolhudo, 260 motoristas foram flagrados acima do limite de velocidade e sentiram no bolso as consequências de ter o pé pesado.

A novidade cria uma guerra de acusações entra a Codetran e os motoras, que não aprovam o novo tipo de fiscalização das ruas peixeiras. O coordenador da Codetran, José Alvercino Ferreira, alega que conta com o apoio dos pedestres pra manter a fiscalização móvel. ?Nós estamos com os radares na rua porque a população veio até aqui pedir que fizéssemos alguma coisa pra reduzir a velocidade dos automóveis em determinadas vias?, explicou. Por outro lado, os motoristas alegam que a prefeitura criou uma indústria de multas numa cidade que tem um trânsito tão caótico que nem dá pra acelerar direito a caranga.

Até certo ponto, os dois lados têm razão. Desde o início da nova administração, os órgãos responsáveis pelo tráfego nas ruas de Itajaí ? secretaria de planejamento urbano (SPDU) e Codetran ? batem cabeça para resolver os congestionamentos em vários pontos da cidade. Até agora, trocas e sincronização de semáforos e mudanças em mãos de grandes ruas do centro da cidade não resolveram o problema. As principais alterações afetaram o tráfego nas imediações da Univali, onde a rua Uruguai passou a ter mão única. A mudança fez com que os engarrafamentos passassem à avenida Contorno Sul, apenas mudando o lugar do problema.

No final avenida Marcos Konder, próximo ao edifício Liberty, a mudança da rua Uruguai e da João Bauer também só mudou o lugar dos engarrafamentos no horário de pico. A sincronia dos semáforos, sempre com problemas, ajuda a deixar o trânsito ainda mais lento em toda aquela região.

É por tudo isso que muita gente acha um absurdo mais um radar móvel nas ruas pra azucrinar a vida dos motoristas. ?O trânsito de Itajaí já é travado demais. Não tem nem como correr aqui?, reclamou Sandro Lunelli, 34 anos, mototaxista que enfrenta o trânsito peixeiro todo santo dia.

Na defesa de quem anda a pé, Zé Alvercino apresenta índices de acidentes causados por excesso de velocidade que são de arrepiar. De acordo com as estatísticas da Codetran, só no primeiro semestre de 2009 o número de acidentes de trânsito causados por motoras apressadinhos já é mais que o triplo do ano passado inteirinho. Em 2008, foram 21 acidentes em 12 meses. Até agora, em 2009, já foram registrados 66 porradaços.

Das esbarradas por excesso de velocidade em 2009, 25 apenas detonaram as carangas dos envolvidos e outras 39 mandaram pelo menos um dos motoras pro hospital. Houve um atropelamento e um acidente sem o envolvimento de veículo motorizado.

A escalada dos perrengues de trânsito em 2009 chegou ao auge em março, quando 111 acidentes ? com as mais variadas causas ? foram registrados e deixaram 43 vítimas. Entre janeiro e maio, houve um aumento de cerca de 70% no número de acidentes nas ruas de Itajaí. Em janeiro, a Codetran registrou 51 acidentes e, em maio ? último mês com estatísticas consolidadas ? foram 85 acidentes. Dois acidentes em abril e um em maio causaram a morte de três pessoas no trânsito de Itajaí em 2009.

Outra estatística que preocupa a Codetran e colabora pra que o trânsito da cidade fique cada vez mais apertado, é o número de veículos ? que cresce sem parar. Nos últimos seis meses, um aumento de 3% na frota em circulação deixou a cidade à beira dos 100 mil veículos. Em seis meses, mais 3.089 carangas entraram na briga por um espacinho nas estreitas e entupidas ruas de Itajaí.

Indústria de multas

O radar móvel não é a única forma de coibir os excessos no trânsito e é isso que causa ainda mais revolta nos motoristas. Atualmente, além das blitzes, a cidade tem os semáforos com fiscalização e as lombadas eletrônicas. Somente as duas geringonças bizolhudas são responsáveis por nada menos que 1,5 mil multas por mês. O radar móvel, que estreou com 260 multas na Contorno Sul, registrou 158 na Gustavo Bernedt, no segundo dia, e pegou 76 motoras na rua Camboriú, na sexta-feira.

O povo reclama que a grana de todo esse mundaréu de multas some e não se vê melhorias no trânsito. Não é pra menos. Em outubro do ano passado, o DIARINHO apurou que o contrato entre a empresa Trana, que é a dona da concessão da fiscalização eletrônica, já tinha rendido até então 130 mil reales de preju. A concessão da Trana só termina em dezembro, se não for renovada.

O problema é que, a cada multa emitida, 67 mangos vão direto pros bolsos da empresa que instalou a parafernália bizolhuda. O que sobra é gasto em despesas de correio e banco. E o restinho é dividido entre a prefa e as polícias civil e militar.

Mesmo com as contas das multas oficialmente no vermelho, o coordenador da Codetran jura que sobra dinheiro pra fazer melhorias no trânsito. ?A Codetran está adquirindo dois automóveis novos, 10 motocicletas e vai ter mais 28 agentes de trânsito em breve. O dinheiro das multas ajuda a pagar essa conta?, explica.

O coordenador não concorda com a acusação de que existe uma indústria de multas na cidade. ?Na verdade, nós não queremos multar ninguém. Queremos que as pessoas respeitem os limites de velocidade?, insiste o chefão dos guardinhas. José Alvercino acredita que falta um pouco de simancol pros motoras e que a fiscalização é o único jeito de botar os apressadinhos na linha. ?Nesses dias em que o radar funcionou sem multar, pegamos o mesmo motorista quatro vezes. Orientamos, explicamos a situação. No primeiro dia que o radar estava multando, o mesmo motorista foi pego. Aí tem que levar multa mesmo?, reclama.

A volta do radar também abriu uma discussão sobre o limite de velocidade das vias monitoradas. Das 11 ruas que vão receber o radar, apenas uma tem limite de 60 Km/h. Em todas as outras o limite é 50 Km/h. ?Os motoristas querem que aumente o limite, mas não é a Codetran quem determina isso. Só seguimos a resolução do conselho nacional de trânsito?, explica Zé Alvercino

Lombadas e semáforos eletrônicos multam 1,5 mil motoras por mês

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